segunda-feira, 28 de maio de 2012

“... mas descerá sobre vós o espírito santo e vos dará força, e sereis minhas testemunhas...” Atos 1,8.




Esta promessa de Jesus acontece entre dois acontecimentos especiais.
No primeiro deles, o Cristo Ressuscitado visita os seus amigos que ainda se encontram medrosos, trancados num lugar onde provavelmente servia de abrigo àqueles que decidiam juntar-se aos seguidores dos ensinamentos de Jesus.
Após a saudação hebraica שָׁלוֹם, em português shalom, sopra sobre eles (Jo 20,22), imitando o sopro da criação que deu vida ao homem (Gênesis 2,7), enchendo-os do Espírito que dá a vida, para curar de toda morte interior causada pelo luto sofrido pela morte do Mestre. Para expulsar as trevas da tristeza que poderia mirrar as forças necessárias para a missão.
Em seguida, antes de voltar à casa do Pai, Jesus torna a encontrar seus discípulos e promete enviar do Pai o Espírito Santo, para dar-lhes forças, a fim de que a mensagem do Evangelho fosse difundida em todo mundo, por isso, após dizer que o espírito desceria sobre eles, ordenou-lhes “... e sereis minhas testemunhas...”.
Chegando o dia de Pentecostes (Atos 2), a promessa se realiza finalmente.
O Espírito desce e confere aos discípulos um ardor diferente, uma força que impulsiona a buscar o alto e a proclamar a Boa Notícia. Pois foi colocada dentro deles uma chama, e como toda chama busca sempre o alto, a nossa alma vive a partir do batismo no Espírito Santo, uma busca incessante de Deus ainda que inconscientemente.
É o Espírito Santo que conduz o nosso coração pelos caminhos da retidão. É Ele quem inspira as ações diante das situações difíceis se O buscarmos.
No entanto, apesar de poder, esta Força não age sozinha, ou seja, depende da disposição daquele que a recebe em cultivar acesa esta chama.
A Força está dentro de nós, como um “chip” implantado, mas que só funciona se for ativado, e a ativação deste chip é a oração, a disposição consciente de querer experimentar este agir.
Basta querer, pedir e deixar-se conduzir, o mais Ele fará.
Oremos:
Espírito de Deus/ Enviai dos céus/ Um raio de luz/ Um raio de luz/
Vinde, Pai dos pobres/ Daí aos corações/ Vossos sete dons/ Vossos sete dons.
Consolo que acalma/ Hóspede da alma/ Doce alívio, vinde/ doce alívio vinde/
No labor descanso/ Na aflição remanso/ No calor aragem/ No calor aragem.
Enchei luz bendita/ Chama que crepita/ O íntimo de nós/ O íntimo de nós/
Sem a luz que acode/ Nada o homem pode/ Nenhum bem há nele/ Nenhum bem há nele.
Ao sujo lavai/ Ao seco regai/ Curai o doente/ Curai o doente/
Dobrai o que é duro/ Guiai no escuro/ O frio aquecei/ O frio aquecei.
Daí à vossa Igreja/ Que espera e deseja/ Vossos sete dons/ Vossos sete dons/
Daí em prêmio ao forte/ Uma santa morte/ Alegria eterna/ Alegria eterna.
Amém! Amém!
Fabrício Alves

sábado, 7 de abril de 2012

“...tomou o corpo de Jesus e o depositou num sepulcro novo...”(cf Mateus 27, 59 - 60)

Este fato que parece sem importância se permanecemos na superficialidade, é no fundo um sinal.
Depois de ter seu corpo dilacerado pelos golpes do pecado materializado em flagelos, coroa de espinhos, bofetões, cusparadas e insultos, Jesus morre na cruz e logo após seu corpo é depositado em um sepulcro NOVO, num lugar que a morte nunca havia antes tocado, porque não se coloca vinho novo em odre velho, nem remendo novo em pano velho.
Era o grão de trigo, colocado no seio da terra, que morreu para dar frutos.
Só as rochas foram testemunhas do que houve dentro daquele sepulcro enquanto Jesus estivera lá dentro. O Pai restaurava o corpo do Seu Filho, transformando-o em um corpo glorioso, como no Tabor.
Estava encerrado o sofrimento, Ele cancelou na cruz o documento que nos condenava, rompeu o inferno (cf Precônio Pascal), morreu para nos dar vida nova, para o povo que andava nas trevas brilhou uma grande luz.
Hoje é o dia em quem podemos depositar no sepulcro tudo aquilo que nos causa e leva à morte, para dar lugar à vida, uma vida renovada pela Água e pelo Espírito. Para que o Pai posso tocar e transformar também.
E agora o sepulcro já fora vencido, a morte não obteve vitória, foi derrotada pela Vida.
É um tempo novo inaugurado pelo Senhor, é Kairós um tempo oportuno para o recomeço.
Feliz Páscoa, feliz passagem da morte à vida!